Descrição
Militantes do grupo de teatro Ói Nóis Aqui Traveiz de Porto Alegre não têm carteirinha de artista conferida pelo Ministério do Trabalho. Anarquista desde a formação o grupo completa agora dez anos de existência autoconsiderando-se como 'atuadores'. Atuação nas várias peças encenadas e nas interferências fora das quatro paredes do teatro. Como a de 1981 quando saiu à rua pela primeira vez defendendo a ecologia com apoio do povo e repressão da polícia. 'Os guardas não deram moleza' lembra José Carlos Peixoto da Silva, o 'Zezão', 41 anos, que identificou na Terreira 'o único lugar onde mantenho a lucidez e posso discutir minha identidade'. E quem dá o tom para os afoxés sambas baiões e merengues musicados por Alex de Souza e Mário Falcão para os poemas de 'A Exceção e a Regra'. Grupo de não e artistas. 'Nossa idéia de arte é socialista' teoriza líder Paulo Flores 31 anos. Para defender esse princípio grupo com dez anos de existência rompeu com associações de classe de Porto Alegre e com Escola Tradicional de Teatro partiu para busca de uma linguagem própria. 'Não faltaram críticas. Mas Paulo Flores garante: 'Nossa integração vai desde agressão à comunhão total com o público'. Revolucionário no propósito de eliminar as culturas tradicionais grupo ocupa hoje grande espaço cultural Terreira da Tribo no bairro central de Porto Alegre onde desenvolve várias oficinas de criação. Radical ao assumir a anarquia como princípio o Oi Nóis Aqui questiona através de seus trabalhos existência dos partidos políticos por acreditar 'em outras formas de organização'. Reunião em torno das questões ecológicas é uma delas e grupo deixa ver essa anarquia ao seu roteiro turístico-cultural, finaliza. Foto do grupo com legenda: O grupo Ói Nóis Aqui Traveiz: contra a arte tradicional.