Descrição
O artigo da revista Afinal (1988) examina o cenário do teatro "underground" brasileiro, destacando o centro cultural Madame Satã, em São Paulo, como um palco vital para a nova geração de diretores que atuam fora do eixo comercial. A matéria enfatiza que essa produção, muitas vezes ignorada pela mídia tradicional, foca em pesquisas de linguagem profundas e inovadoras que buscam recuperar o sentido de experimentação perdido em décadas anteriores. Entre os destaques da mostra "Novíssimos Diretores do Teatro Contemporâneo", o grupo gaúcho Ói Nóis Aqui Traveiz é apontado como um dos expoentes dessa renovação radical. A estética do grupo é exemplificada pelo espetáculo "Ostal", dirigido por Paulo Flores, que se caracterizou como uma experiência ritualística e sensorial extrema. A montagem rompia com as convenções tradicionais ao limitar o público a apenas 20 pessoas por sessão e ao submeter os espectadores a um ambiente que evocava um hospital ou templo, incluindo o uso obrigatório de máscaras cirúrgicas e o forte odor de éter. Inspirada por referências do grupo italiano Célio Confrontação, a peça buscava transformar a representação em um rito de proximidade física, consolidando o Ói Nóis como uma voz provocadora e polêmica no panorama do teatro experimental da época.