Descrição
"O Sentido do Corpo" é mais um trabalho de vanguarda e experimentação apresentado pelo teatro "Ói nóis aqui traveiz". Pela produtividade que estão apresentando na temporada teatral deste ano poderiam até mudar o nome do grupo para "Ói nóis aqui sempre". Com um fôlego de gato eles estão saltando de trabalho em trabalho permanecendo fiéis a seu estilo agressivo e aos propósitos anti-convencionais mobilizando estruturas ideológicas e criando uma rotina de atividade ininterrupta. O que se torna excelente para a sobrevivência do grupo e sua afirmação no panorama cultural da cidade. Desta vez estamos diante de um espetáculo de ação pura. Apenas alguns monólogos que se ouvem sem muita atenção acompanham a intensa atividade física dos atores. Despidos os intérpretes buscam nos sobre fazem contato com a plateia se agrupam se desenham se tocam e acontecem gritam rosnam e banhados de mijo procuram estabelecer contato igualmente intenso com público e atores. Esta procura é um repúdio às forças de pressão das estruturas dominantes. Os corpos nus móveis e entregues atuam como protestos vivos. Expressam uma ânsia libertária buscando verdades íntimas recusando condicionamentos impostos num clima análise de catarse analítica. Pode ser tomado como um ballet erótico uma evocação de escárneo de escarneios uma ruptura com a sociedade vigente uma crítica ao "status quo" ou a abertura de uma nova froneira-saída para o espetáculo do "Oi Nois" ao som de Albinoni num cenário de sacos plásticos cordas e pedras de papelão. Em certo momento filmes e slides coloridos refletem plasticamente o que a curiosa dançapantomima-relação-grupal está sugerindo e vice-versa. A nudez faz dos atores estátuas vivas e expressões canções de emocionar e assustar mas também de provocar uma identificação a colocar um chamamento forte para uma liberdade revolucionária liberal íntima além de qualquer código ético. Algo como a posição revolucionária de um Marcuse de Sade. Creio que o "oi nóis" teria muito material à sua disposição se se dispusesse a aproveitar alguns textos do Marquês com seu radicalismo contestatório. "O Sentido do Corpo" apresenta também liberação de conteúdos psíquicos em forma de ritual. Quer conscientizar a platéia das cadeias em que a sociedade traz todos presos e das possibilidades de liberação dos condicionamentos impostos. Como sempre a comunhão com o "Ói Nóis" mostra seu trabalho é grande. O clima hierático que conseguem criar é muito ato é com força é espanto.