Descrição
Entrevista conduzida por Roberto Oliveira da revista SALA com Paulo Flores, fundador e diretor do Grupo Ói Nóis Aqui Traveiz, documenta o momento em que a trupe completava nove anos de trabalho contínuo e sem concessões, enquanto seu espaço de pesquisa e trabalho, a Terreira da Tribo, celebrava três anos de atividades. O extenso bate-papo revela a natureza radical do grupo, que Flores define como uma guerrilha cultural dedicada ao trabalho de pesquisa teatral focado na relação palco/platéia e na ambientação cênica, questionando a própria natureza do teatro convencional e buscando compreender o que fica da comunicação ator/espectador. Paulo descreve o "Ói nóis" como grupo que rompeu com associações de classe e com a Escola Tradicional de Teatro, partindo para busca de linguagem própria através de trabalhos desenvolvidos desde 1978 como "Fim de Partida", "As Domésticas" e outros experimentos que estabeleceram comunicação mais viva com o público. O diretor explica que o grupo, desde a criação em 1977 por afinidade ideológica de seus integrantes, sempre se mostrou bem definido em negar vários padrões da arte academicista, posicionando-se ideologicamente contra o sistema capitalista e desenvolvendo teatro que tem carga ideológica bem definida. A Terreira é apresentada como espaço ideológico bem claro, foco de resistência econômica onde aproximadamente pessoas trabalham dentro do ideal de liberdade, buscando negação de qualquer tipo de conivência com a sociedade burguesa através de um princípio suicida que alimenta a força dessas pessoas. Flores detalha que o grupo, naquele momento com nove anos de existência, havia desenvolvido trabalho de rua desde 1981 defendendo ecologia com apoio do povo e repressão da polícia, e que José Carlos Peixoto ("Zezão"), com 41 anos, identificava na Terreira "o único lugar onde mantenho a lucidez e posso discutir minha identidade". O entrevistado revela ainda que o grupo estava apresentando em praças a Esquina Democrática "A Exceção e a Regra" de Brecht, além de mencionar projetos futuros e a continuidade do trabalho voltado para o teatro como instrumento de transformação social, mantendo postura de que pela carência econômica que gera todas as outras carências, seja antagônico ao poder estabelecido.