Descrição
Primeira matéria: Alceu Valença: democracia nem na arte
Por Osvil Lopes
Este artigo relata um incidente envolvendo o cantor Alceu Valença em apresentação em São Leopoldo. Diferente de outros artistas que tiveram carreiras mais tranquilas, Alceu já estava se tornando comum na educação do público em relação a shows com artistas jovens. Durante a apresentação, que contava com violão, efeitos vocais e banda de acompanhamento, um grupo de pessoas que desejavam entrar sem pagar começou a gritar na rua questionando o espetáculo. Uma atriz do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz transformou-se em porta-voz e pediu que Alceu voltasse ao palco. O cantor-compositor atendeu e comentou que estava trabalhando em teatro de classe média onde existem determinadas regras a serem obedecidas, demonstrando respeito às pessoas que estavam pagando ingresso. Alceu concluiu afirmando que "todo mundo sabe que não somos nenhuma democracia" e que não há democracia na arte, já que não existe nem pão para comer.
Segunda matéria: O REI JÁ ERA PARARRATIMBUM
Esta nota anuncia a peça "O Rei Já Era Pararratimbum" do grupo chileno Aleph, traduzida em criação coletiva pelo grupo Ói Nóis Aqui Traveiz. As apresentações aconteciam de quinta a domingo no teatro da Ramiro Barcelos, entre Cristo Redentor e Farrapos, às 21 horas. A peça questiona o poder a partir do momento em que as pessoas são colocadas em formas de hierarquias e comandos. A trama situa o poder em três mendigos e sua luta para que um deles possa ser o rei.
Terceira matéria: O PODER EM DISCUSSÃO NA NOVA PEÇA DO ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ
Este artigo aprofunda a análise da montagem "O Rei Já Era Pararratimbum", baseada em roteiro do grupo chileno Aleph e adaptada coletivamente pelo Ói Nóis Aqui Traveiz. A peça questiona as hierarquias através da história de três mendigos em disputa pelo poder. A origem remonta a trabalho que o grupo traduziu e estudou, tendo sido apresentado na UFRGS e na PUC. Na PUC, a encenação do DCE originou um processo contra dois estudantes responsáveis pela promoção, sob alegação de que "a peça atentava contra a moral e os bons costumes da universidade". A proposta básica do Ói Nóis era fazer teatro que atingisse visceralmente o público, aberto a todas as manifestações e participações. Durante as apresentações ocorreram episódios marcantes de participação da plateia, demonstrando a proposta do grupo de promover discussão sobre o poder através de interferências e debates com o público.