Descrição
Uma tribo da contracultura
Por Renato Lemos Dalto - Porto Alegre, 12 a 14 de julho de 1986
Este artigo aborda a trajetória do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz e seu espaço cultural "Terreira da Tribo", localizado na Rua José do Patrocínio, bairro Cidade Baixa. Há dois anos existia ali um foco de resistência do underground onde os valores do capitalismo, da moral burguesa e da arte acadêmica eram veementemente contestados. A inspiração vinha de autores malditos como Antonin Artaud e Jean Genet, desenvolvendo um teatro que envolvia o espectador. O espaço funcionava como teatro-bar com pátio onde aconteciam montagens, além de oficinas de teatro, confecção de máscaras e experimentalismo musical. O grupo mantinha atividades antimitarizaristas e ecológicas, estando em sua segunda fase após 20 horas semanais de trabalho na feira.
A Terreira comemorou seu segundo aniversário em 14 de julho com uma série de shows, apresentando três grupos a partir das 21 horas: O Afago, Expresso Oriente e Julio Reny e Banda Expresso Oriente. Paulo Flores, 31 anos e um dos criadores do Ói Nóis Aqui Traveiz, explicava que a proposta estava fortemente ligada ao movimento de contracultura, conseguindo determinar a capacidade do teatro que, além de atrações musicais, abrigava quinhentas pessoas. Ao lado do teatro, um bar distribuía toda a renda para as despesas daqueles que faziam a Terreira. O artigo menciona a inauguração significativa escolhida pelo grupo no dia 14 de julho de 1984, quando a Terreira da Cidade Baixa começou a funcionar, iniciando uma série de projetos que consolidariam o "Ói Nóis" como importante núcleo da contracultura e reação beat em Porto Alegre.