Descrição
Este artigo aborda uma das grandes dificuldades da cultura rio-grandense: a falta de registro de atividades que podem estar cronologicamente perto, mas sofrem dissipação objetiva, impedindo a transmissão de experiências. O autor argumenta que a tradição de continuidade é indispensável para o amadurecimento cultural e artístico, realizando um painel sobre o teatro gaúcho nas últimas duas décadas. O texto propõe uma discussão sobre aspectos bastante ricos, especialmente sobre grupos que enfrentaram obstáculos econômicos e políticos, acreditando na beleza da linguagem teatral.
O artigo destaca dois importantes núcleos teatrais. O Grupo de Teatro Província nasceu em 1970 para exemplificar o trabalho de professores e alunos do Curso de Arte Dramática da UFRGS, com nomes como Ged Bornheim, Ligia Viana Barbosa, Luiz Paulo Vasconcellos e Maria Helena Lopes. Partindo para o experimentalismo com criação coletiva, improvisação e participação comunitária, o grupo produziu criações que marcaram profundamente o teatro gaúcho. O Teatro de Arena de Porto Alegre iniciou suas atividades após o golpe de 1964, sendo um ponto de reunião onde o teatro deveria discutir a sociedade e questões sociais urgentes. Estabelecendo-se como importante núcleo de resistência cultural à ditadura, o Arena enfrentou frequentes intervenções da censura e tratamento diferenciado no acesso a recursos governamentais, sobrevivendo graças à sobrevivência e luta de seus participantes até o início da Nova República em agosto de 1979, quando o processo de democratização ganhou força.