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Fechamento do Teatro Ói Nóis Aqui Traveiz repercute na Assembléia
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Metadados
Número de Registro
AD.ONAT.00035
Autoria
Descrição
Fechamento do Teatro Ói Nóis Aqui Traveiz repercute na Assembléia
Inconformados com o fechamento do Teatro Oi Nóis Aqui Traveiz, seus componentes têm se mobilizado no sentido de refazer a decisão do Departamento de Diversões Públicas, alegando, inicialmente, que eles não possuíam alvará por escrito para encerrar suas atividades no prédio número 485 da Ramiro Barcelos, que alugaram por Cr$ 4.500,00 mensais. Examinando novamente a documentação legal que estabelece as normas para funcionamento de casas de espetáculos, verificaram que suas instalações não atendem as exigências legais em apenas um ponto: a saída e entrada independente para os camarins. A mesma exigência, atualmente, só é cumprida pelo Teatro Leopoldina. Ocorre que o prédio do Teatro Oi Nóis Aqui Traveiz tem condições de abrir uma saída independente, como pede a lei.
A repercussão do fechamento do teatro, além dos jornais, inclusive do centro do País, atingiu a Assembléia Legislativa, com o pronunciamento do deputado César Schirmer, que provocou apartes. Schirmer começou afirmando que "quando ouço falar em cultura, tenho vontade de sacar a pistola". Esta frase, prosseguiu, é de Hermann Goering, Ministro e Comandante Chefe da Força Aérea Alemã, na época da Alemanha Nazista. Essa frase, que revela, indiscutivelmente, não só uma vocação totalitária, mas também uma posição obscurantista em relação à inteligência dos povos. E certo, quem sabe, tenha seguidores no Brasil em todo, onde os governantes, pelas suas medidas, pelos seus atos, pelas suas portarias, pelos seus decretos, sucessivas vezes têm manifestado o seu horror à cultura, à inteligência, à arte, enfim, hoje no Brasil, vivemos em sucessivas manifestações de arbítrio em que não só desejam exercer a política, mas também a cultura em nossos País".
Cena de A Felicidade não Esperneia, Patatí Patatá, que o grupo Oi Nóis Aqui Traveiz está defendendo de apresentar em seu teatro.
A partir daí, Schirmer referia-se ao episódio de fechamento do Teatro Oi Nóis Aqui Traveiz. Em aparte, o deputado Pedro Américo Leal disse ser este apenas "um caso de âmbito policial", e que ele mesmo se encarregaria de encaminhar ao Secretário de Segurança Pública, "por se tratar de um problema corriqueiro de desrespeito e polícia".
Schirmer continuou, respondendo que o problema era da cultura, enquanto Leal preferia questão da política menor. Com este novo apoio, recebido da bancada oposicionista na Assembléia, os componentes do grupo Oi Nóis Aqui Traveiz pretendem prosseguir na luta pela reabertura do teatro, considerando que o único impedimento legal pode ser superado, voltando assim às atividades normais, como a maioria dos espetáculos amadores oficiais.
[Foto com legenda:]
O novel grupo de teatro da cidade, "Oi, Nóis aqui, traveiz", depois de duas postergações, estreia hoje, inaugurando seu teatro do mesmo nome, à meia noite, com o espetáculo denominado "A Felicidade não esperneia, Palatí, Patatá". Trata-se de duas peças de Júlio Zanotta Vieira, que deu aulas a que dá nome ao espetáculo, enfocando a medicina e o lucro, temas, aliás, bastante atuais nos últimos dias, em virtude dos acontecimentos que os jornais têm registrado. O segundo texto denomina-se "A Divina Proporção", e enfoca a humilhação de quem pretende encontrar morada na grande cidade. O espetáculo tem direção de Paulo Flores e em seu elenco estão Silvia, Rafael Baião, Júlio Zanotta Vieira, Jucemar Gonçalves, Alfredo Guedes, Beatriz Tedesco, Lizete Conceição Alves e José Paula Nunes. O novo teatro situa-se na Rua Ramiro Barcelos, 475, quase esquina com a rua Cristóvão Colombo, num momento de ensaios.
Data
24/05/1978
Local de Produção
Denominação
Materialidade
Marcas e Inscrições
24-MAIO/78


