Descrição
A Brigada Militar interferiu de forma violenta ontem no centro da cidade ao dispersar manifestação de estudantes e ecologistas que através de uma passeata ecológica procuravam marcar a passagem do Dia Mundial do Meio Ambiente. Quatro universitários foram presos quando faziam uma representação teatral na esquina da Rua da Praia com a General Câmara. Várias pessoas terminaram sendo agredidas por cassetetes dos soldados da Brigada Militar que investiram contra o público que assistia tranquilamente à manifestação. Taís Ferreira Dornelles e Maria Elisabete de Oliveira foram duas dos quatro universitários detidos pela Brigada Militar no momento da representação teatral na Rua da Praia. Os outros dois universitários não haviam sido identificados até o final da manifestação que mesmo reprimida pelos brigadianos continuou firme segundo pelas Avenidas Borges de Medeiros Salgado Filho até o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul na Avenida João Pessoa. A noite foram liberados pela Polícia. Diversas entidades se uniram ontem para marcar com manifestações o Dia Mundial da Ecologia. O programa do dia do Meio Ambiente iniciou com um Culto Ecumênico no templo da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil às 16 horas. Representantes da Ação Democrática Feminina Gaúcha da Associação Gaúcha de Preservação do Ambiente Natural (Agapan) da Associação Nacional de Apoio ao Índio (Anaí) compareceram ao Culto Ecumênico informando na ocasião que a caminhada ecológica estava suspensa devido à proibição da Secretaria de Segurança Pública. No entanto a passeata foi iniciando aos poucos primeiro pela Rua Senhor dos Passos com grande participação dos universitários do Instituto de Artes e do Departamento de Artes Dramáticas da Ufrgs e depois ingressando na Rua da Praia. Carregando um caixão e uma coroa de flores os estudantes alguns vestidos representando carrascos e escravos denunciavam a morte do Rio Guaíba. Com máscaras protestavam contra o envenenamento químico e a morte do Rio Guaíba. Estudantes representando escravos conduziam um andor com a imagem do famoso personagem Tio Patinhas com o seu saco de dinheiro. Assim a passeata seguia pela Rua da Praia em direção à Praça da Alfândega. Tudo seguia sem problemas até o momento em que os manifestantes resolveram parar na esquina da Andradas com a Rua General Câmara para fazer a representação teatral dos alunos do DAD da Ufrgs. Eram um pouco mais de 300 manifestantes e transeuntes que se posicionaram em círculo para assistir à representação. Nesse instante uma viatura da Brigada Militar investiu contra as pessoas de sirene aberta acabando com todo o cenário da peça e evidentemente afastando o público. Nessa mesma viatura foram levados os quatro universitários detidos. Mas a manifestação prosseguiu. A Carta Ecológica e a População foi lida e mesmo escoltados pela Brigada Militar os manifestantes tomaram as Avenidas Borges de Medeiros Salgado Filho e João Pessoa onde a passeata dispersou como se nada tivesse acontecido no DCE da Ufrgs aguardando notícias dos colegas presos.