Descrição
Jornal Oráculo nº 0 (Dezembro/1987)
PÁGINA 1 (CAPA): A capa inaugural do Jornal de Teatro Oráculo apresenta design gráfico marcante com grande ilustração central de figura feminina estilizada, estabelecendo identidade visual do periódico. As manchetes anunciam os principais conteúdos: "A Dramaturgia", "Pir Guarnieri", "Ingresso Barato Populariza o Teatro?", "O Teatro Está N'ruas" (destacando a matéria sobre Ói Nóis Aqui Traveiz na página 8), "Gregor Samsa Faz Sub'Primeira Vítima" e "Os Festivais". O cabeçalho identifica a publicação como "Jornal de Teatro - Oráculo - Ano 1 Nº 0 - Dezembro 1987 - Distribuição Gratuita", estabelecendo sua proposta como veículo cultural independente.
PÁGINA 2: O editorial fundador articula a missão do jornal de aproximar teatro e público, defendendo que a arte cênica deve ser ativa na sociedade e exigir qualidade aliada à alquimia com a realidade. Uma charge política satiriza equívocos do Festival Catarinense de Teatro (FECATE), enquanto reportagem sobre o XV Festival Nacional de Teatro Amador documenta o panorama nacional. A página inclui extensa seção sindical discutindo dificuldades organizativas da classe teatral pós-SATED-RS e uma lista crítica de carências estruturais ("A FALTA!") enfrentadas pelo teatro gaúcho, revelando o contexto político-cultural do período de redemocratização.
PÁGINA 3: Configurada como guia de programação cultural de dezembro/1987, apresenta destaque central para a peça "A Lição (Ou Memórias De Um Doce Vampiro)" de Clarisse Ilgenfritz no Teatro de Câmara, com texto promocional elaborado e literário. A página desdobra-se em extensa listagem de espetáculos em cartaz nos principais teatros porto-alegrenses - Sala Corpo Santo, Sala Álvaro Moreira, Teatro Medenininho, Porto de Elis e Terreira da Tribo - abrangendo teatro adulto e infantil, dança, mímica e performances experimentais, documentando a efervescente e diversificada cena cultural da cidade no período.
PÁGINA 4: A matéria central "Teatro na Rua - O Caminho Para Um Teatro Popular" desenvolve análise histórica aprofundada do teatro de rua desde os "Mistérios" da Idade Média, passando pelo Renascimento e chegando ao contexto brasileiro contemporâneo, com foco substancial no Grupo Ói Nóis Aqui Traveiz. O artigo documenta extensamente as apresentações de "A Exceção e a Regra" de Bertolt Brecht realizadas pelo grupo nas ruas, parques, praças e vilas de Porto Alegre desde 1981, defendendo o teatro de rua como instrumento de ação e transformação social que leva as artes cênicas na expressão mais popular ao grande público. Acompanhado de fotografias documentais das performances em espaços públicos, o texto posiciona a Terreira da Tribo (José do Patrocínio, 527) como espaço de resistência cultural e destaca o Ói Nóis como referência fundamental do teatro político gaúcho, ao lado de grupos como Galpão, Teuda Bara e Wander Fernandes. A página inclui anúncio do espetáculo "Ostal", oferencendo bônus de desconto para ingresso e consolida a publicação como documento essencial da historiografia do teatro experimental e engajado do Rio Grande do Sul.